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O Trilho do Contrabando em Vilarelho da Raia - a minha experiência como contrabandista

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  Este mês fui até Vilarelho da Raia tirar um “curso breve” do que era ser contrabandista.   Comecei por visitar o Museu Etnográfico da Freguesia de Vilarelho da Raia, onde tinha vários móveis, objetos de casa, cozinha, transporte, iluminação, religiosos entre muitos outros utilizados até ao último quartel do século passado. Claro que me foquei na cozinha, onde tinha um louceiro, a masseira do pão, a batedeira manual, a máquina de picar a amêndoa, a forma, as colheres etc. (1)    (2) e (3) Faltou mencionar a tarandeira (1) para colocar o pão acabado de sair do forno, a lareira com as suas panelas de três pés, claro, os lareiros (2) para pendurar os enchidos para fumar e a chambrileira (3) para pendurar a carne de porco. Depois de jantar um rancho muito saboroso (rancho do contrabandista), com uma lista de instruções a seguir e devidamente vestida de preto para não ser vista, fui recolher o meu fardo num local secreto onde estava a dona do contrabando - por esta altu...

Pampilhos de Santarém

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O pampilho nasceu na pastelaria Bijou em Santarém e tornou-se a imagem de marca da cidade. A receita surgiu há cerca de 30 anos, quando fizeram um bolo novo com massa areada macia mal cozida, recheada com doce de ovos e pincelada com ovo. Por ser retangular, deram-lhe o nome de pampilho, que é o nome que se dá à vara comprida usada pelos campinos do Ribatejo, homenageando-os dessa forma. Apesar de ter sido registada nos anos 80, a receita, por ser simples, foi copiada por várias confeitarias e hipermercados, mas nenhum pampilho vendido por eles se pode comprar ao original. Bibliografia: “Pampilhos”. Disponível em https://noponto.pt/pampilhos/ . [acedido em 2/7/2022]. “Pampilhos”. In Castro, Cristina. A doçaria portuguesa – centro . s.l.: Ficta, 2019, pp. 206-207. Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. “Pampilhos”. Disponível em https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/200-pampilho [acedido em 2/7/2022]. Lança, Filomena. “Pampilho: Um suces...

A história do bolo Julinha

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Quem nos segue sabe que gostamos de tradição e valorizamos as memórias. Hoje trazemos-lhe uma história e uma memória da minha infância: O BOLO JULINHA! Vamos então à história:  Nunca soube quem foi a Julinha, mas este bolo, receita da minha Avó Nana, era presença obrigatória em todas as festas de família. Depois da refeição, tínhamos a certeza de que ele ia ser uma das sobremesas. E, depois da refeição, eu, a minha mãe e as minhas duas avós ficávamos à volta da mesa a falar e a comer mais um bocadinho do bolo e a beber uma chávena de cevada ou de chá. Por tudo isto, associo o bolo Julinha à família reunida e transporta-me, especialmente, às minhas festas de aniversário celebradas em casa com as minhas amigas, como era normal na altura. É um bolo fofo e saboroso, recheado e coberto com as variantes de creme de manteiga, creme moka ou um dos dois com amêndoas (cortadas em palitos e torradas) espetadas a toda a volta. Como bolo de aniversário, usava outra opção: recheava-o e cobria-o ...

Palha de Abrantes

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A Palha de Abrantes é um doce de origem conventual, mais concretamente do antigo Convento da Nossa Senhora da Graça, da Ordem das Dominicanas. Na verdade, não é um doce, mas sim um docinho feito à base de gemas de ovo com amêndoa, coberto por fios de ovos ligeiramente tostados no forno bem quente. É lindo, como podem ver na imagem! O nome veio da sua parecença com a palha que passava por Abrantes vinda do Alentejo e caminho dos estábulos de Lisboa, ou da associação ao mercado da palha realizado em algumas praças do cento histórico. Diz-se que a receita feita no convento era a seguinte: partem-se 34 ovos e tiram-se-lhe as claras e as peles. Põe-se 1 quilo de açúcar ao lume com uma pouca de água e, depois de ferver um bom bocado, fazem-se os fios com o funil próprio. No mesmo açúcar deitam-se outros 24 ovos bem batidos (mas só 10 claras) e deixam-se cozer. Ficam assim feitas as sopas que se colocam na travessa por debaixo dos fios. À receita antiga foram acrescentados alguns ingredientes...

Canja à Vila-Franquense

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Canja à Vila-Franquense é uma marca gastronómica do Município de Vila Franca de Xira e é uma canja de frango substancial com carne de porco (chispe e chouriço) e alcatra, que são dos animais criados no campo e com outros ingredientes de fácil acesso. Esta é a receita disponibilizada pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira que parece deliciosa. Quem é que se atreve a experimentar? Ingredientes: ½ frango do campo com miúdos ½ chispe de porco  250g de carne de vaca (alcatra) 2 cebolas 3 cenouras 4 dentes de alho 70g de chouriço de carne 1 folha de louro 150ml de vinho branco Encostas de Xira 4 litro água 200g de massa tipo pevide 1 limão folhas de hortelã, sal, pimenta, molho inglês, tabasco e azeite a gosto Preparação: Cortar em pedaços o frango do campo (manter os miúdos inteiros), o chispe de porco e a carne de vaca. Temperar as carnes com um pouco de sal e colocar no frigorífico durante 1 dia. Num tacho, cobrir o fundo com azeite e deixar aquecer.  Adicionar as cebolas c...

Torricado de bacalhau da Azambuja

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O torricado de bacalhau era um prato típico dos trabalhadores rurais da Azambuja e das redondezas. Quando ia passar vários dias e noites na lezíria, o campino levava os ingredientes no alforge para as suas merendas e o torricado era um dos pratos mais comuns: o pão saloio, que ia secando ao longo dos dias, era partido, davam-se-lhe uns golpes com a faca ou a navalha, e era torrado dos dois lados nas brasas da fogueira onde, de seguida, era assada a posta fina de bacalhau.  Enquanto esta assava, descascava-se um dente de alho e esfregavam-se as fatias de pão dos dois lados, regava-se com um fio de azeite e temperava-se umas pedrinhas de sal. A posta de bacalhau era colocada por cima do pão e comia-se. Bibliografia: “Torricado d'Azambuja”. In Terra Velhinha . Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=7A5VWORozOU [acedido em 2/7/2022]. imagem: Câmara Municipal da Azambuja

Almeirim: sopa da pedra e caralhota

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A sopa da pedra Quase todos já ouviram falar da lenda do frade que fez um caldo a partir de uma pedra: Um frade andava no peditório. Em determinada altura, cheio de fome, chegou à porta de um lavrador e aí nada lhe quiseram dar. E ele disse aos da casa: – Vou ver se faço um caldinho de pedra. Apanhou uma pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela a ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e da sua lembrança. Perguntou o viandante: – Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa muito boa! Responderam-lhe: – Sempre queremos ver isso. Foi o que frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra falou assim: – Se me emprestassem aí uma panelinha… Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e meteu a pedra dentro. – Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas… Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, disse ele: – Com um bocadinho de unto é que o caldo ficava um primor! Foram-lhe buscar um pedaço...