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Ninguém nasce ensinado #2

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Caldos para poupar tempo Sabia que um caldo pode ser utilizado em várias receitas e poupar-lhe tempo? Por exemplo, pode fazer caldos de carne, peixe, marisco ou vegetais, meter em sacos, guardar no congelador e usar mais tarde para fazer pratos de arroz, massa e molhos. Os caldos são muito mais saborosos do que a água e vão enriquecer os seus cozinhados, para além de serem baratos de fazer, porque vão usar carcaças, ossos, aparas, cascas, talos etc. que, normalmente, são desperdiçados. Aqui fica um exemplo de caldo de aves e outro de vegetais. Caldo de aves Ingredientes: 2l água 1 carcaça de frango 1 cebola picada 1 dente alho esmagado 1 pedaço de cenoura com casca cortado às rodelas 10cm de alho-francês cortado às rodelas 1 folha louro sal e pimenta q.b. Preparação: Lavar muito bem a carcaça do frango. Colocar os ingredientes todos numa panela e deixar ferver lentamente. Temperar com sal. Passar o caldo por um coador estreito ou por um pano.

João da Matta

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  Filho de um cozinheiro “rival dos mais célebres cozinheiros do seu tempo” (Carvalho, 144), João da Matta perde o seu pai aos 12 anos. Pensando no futuro do filho, a mãe falou com o capitão de um navio para o levar para o Brasil. Na véspera da partida, o rapaz vai dormir para casa do capitão e, durante a noite, começou a ficar com medo da viagem. De madrugada, saiu e foi sentar-se no Rossio, onde um amigo do seu pai o encontrou e lhe ofereceu emprego na casa onde servia. João aceitou e foi mostrando as suas aptidões, passando de “bicho de cozinha à categoria de cordon bleu ” (Carvalho, 145), trabalhando em várias casas de Lisboa, sendo a última a do Visconde da Várzea. Em 1848, João da Matta decidiu abrir um restaurante na esquina da Rua do Alecrim com a Praça Duque da Terceira, o ‘À la carte’. Algum tempo depois, passou para a Rua do Ouro, para o ‘Chapelier’. Depois retirou-se para “viver dos seus rendimentos” ( Diario Illustrado , 1) e diz-se que esse período foi “de verdad...

E que tal umas tripas à moda do Porto?

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Esta receita leva vários tipos de carne de vaca ou vitela, de porco, de galinha ou frango, enchidos, feijão branco ou manteiga e as tripas, claro! Não podemos pensar que a receita das tripas terá sido criada no Porto, pois há vários locais pela Europa, por exemplo em Espanha, França, Itália, Alemanha e Chéquia, por onde passaram, no século I a.C., os suevos, um povo bárbaro, que incluíam as tripas e vaca na sua dieta e que acabaram por deixar pratos muito similares às tripas à moda do Porto. Em Portugal, há, pelo menos, uma história e duas lendas que estão relacionadas com este prato. A história verdadeira remonta a 1384, quando Lisboa estava cercada por tropas castelhanas e os portuenses enviaram uma armada de socorro com mantimentos, tendo ficado apenas com as tripas dos animais. A primeira lenda remete ao Cerco do Porto feito pelas tropas miguelistas entre 1832 e 33. Durante este tempo, para a superar a falta de alimentos que não entravam, os portuenses tiveram de apelar à imaginaçã...

Lenda do Folar da Páscoa

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Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer. Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre. N...

Bulhão Pato e as amêijoas

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Já foi a uma cervejaria ou a um restaurante e viu como entrada um prato chamado “Amêijoas à Bulhão Pato”? É sobre ele que vamos falar a seguir. Antes de mais, e para que não fiquem dúvidas, não foi Bulhão Pato que inventou essa receita simples e deliciosa: poderá ter sido um cozinheiro do restaurante Estrela de Ouro, da rua da Prata em Lisboa, ou  João da Matta, um famoso cozinheiro e autor do livro “Arte de Cozinha”, um dos melhores livros de culinária portuguesa. A receita terá sido publicada pela primeira vez em 1933, no livro Cozinha Ideal de Manuel Ferreira: Ingredientes: 2kg de amêijoas  1dl de azeite 3 dentes de alho sal, pimenta q.b. 1 ramo de salsa sumo de ½ limão Preparação: Fritar os alhos no azeite. Juntar as amêijoas e temperar com sal e pimenta. Logo que estejam abertas, servir com salsa picada , sumo de limão e uma rodela e um quarto de limão por cima. Pode não ter inventado a receita das amêijoas, mas Bulhão Pato inventou outras igualmente deliciosas como “Aço...

O meu amigo jesuíta

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 O jesuíta é um bolo de fabrico próprio de muitas confeitarias e que tem uma base triangular longa com a ponta quadrada e cobertura de glacé real. Ele apareceu em Santo Tirso, na confeitaria Moura, quando contrataram um pasteleiro espanhol – no artigo sobre a criação da Confraria do Jesuíta (em 2007) diz que o bolo faria 115 anos em 28 de junho e, se assim for, este ano, irá completar 130 anos! Num artigo sobre a criação da Confraria do Jesuíta, o Padre Francisco Carvalho Correia, investigador e historiador tirsense, informa que o pasteleiro deverá ter trabalhado numa casa centenária em Bilbau, Espanha, que fabricava bolos idênticos aos que levou para Santo Tirso. Podem encontrar-se jesuítas simples ou recheados com maçã, doce de ovos, chila, canela, … O jesuíta é um bolo da pastelaria francesa ( jésuite ) que, tal como o nosso, tem uma forma triangular de massa folhada, mas é recheado de frangipane (um creme feito à base de amêndoa e creme de pasteleiro) e coberto com glacé. ...

O meu nome é Gomes de Sá, “Bacalhau à Gomes de Sá”

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A receita "Bacalhau à Gomes de Sá" foi inventada, provavelmente, na década de 1910, por José Gomes de Sá, um comerciante do Porto que viveu entre 1851 e 1926. Nessa altura, era habitual os amigos reunirem-se em restaurantes fora do Porto e, um domingo, e um restaurante na Ponte da Pedra, uma localida de perto do Porto, Gomes de Sá disse que ia para a cozinha fazer um prato especial e, quando o apresentou aos amigos, eles deram-lhe o nome de «Bacalhau à Gomes de Sá». Mais tarde, de acordo com alguns autores, Gomes de Sá ofereceu essa receita ao seu amigo João, que era proprietário ou chefe de cozinha do restaurante Lisbonense, no Porto. Apesar de escrita, esta receita foi sendo publicada ao longo dos anos com algumas alterações, mas pode encontrar em baixo a receita dita original, publicada em A arte de bem comer (1949) por Alfredo Morais:      “Pega-se no bacalhau demolhado e deita-se numa caçarola. Depois cobre-se todo com água a ferver e depois de tapar a caçarol...