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O Natal no Porto e algumas receitas

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Hoje vou até aos primeiros anos do século XX, para mostrar como era a véspera de Natal no Porto e dar-vos duas receitas das minhas Avós. Ora leiam até ao fim! O Mercado dos Anjos (que ficava perto da Torre dos Clérigos) e o Mercado do Bolhão estavam muito movimentados e cheios de aves, flores, frutas e legumes, principalmente as couves que iriam para a panela mais tarde. Em baixo, tem as fotos dos Mercados dos Anjos e do Bolhão, respetivamente. De Ermesinde, Mafamude, Rio Tinto, Moncorvo e de Cabeceiras de Basto vinham os vendedores de mel, na Praça de D. Pedro IV, atual Praça de Liberdade, havia uma feira onde se vendiam os melhores produtos de confeitaria popular: o pão-de-ló coberto em forma de coração, os nogados e bonecos de massa dura com formas originais e cobertos com açúcar. As mercearias e as doçarias tinham uma grande quantidade de bolos, especialmente os enormes pães-de-ló. Era costume os estabelecimentos oferecerem aos seus fregueses de todo o ano um queijo de dois q...

S. Martinho e a lenda

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          S. Martinho e a lenda Martinho de Tours nasceu no século I onde é agora a Hungria, mas foi criado em Itália com a sua família pagã. Mais tarde converteu-se ao Cristianismo, fundou um mosteiro perto de Tours, pregou a fé católica em França e foi Bispo de Tours. O "verão de S. Martinho" Para além disso, Martinho foi membro da guarda imperial francesa. Numa das rondas, em noite de tempestade, viu um mendigo seminu. Para o agasalhar, cortou o seu manto com a espada e deu-lhe metade - nesse momento, a tempestade desapareceu e o sol brilhou durante três dias. A partir dessa altura, perto do dia 11 de novembro, o tempo chuvoso e frio abranda, dando origem a dias quentes, como se fossem de verão. A tradição Em dia de S. Martinho, faz magusto e prova o teu vinho Todos os anos, no dia 11 de novembro, celebra-se o dia de S. Martinho. Em Portugal faz-se uma festa em que se assam castanhas. Esta festa remonta a um antigo ritual de comemoração do Dia de Todos os San...

As castanhas quentes e boas!

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      «Cava fundo em novembro, assa castanhas e vai comendo.» A castanha é o fruto do castanheiro e, quando nasce, está protegida por um ouriço, um “casulo” coberto de picos, que só se abre na altura de ela cair, como confirma o ditado «As castanhas apanham-se quando caem». A castanha é um alimento consumido desde o Paleolítico e presume-se que seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso. Chegou a ser a base da nossa alimentação, antes de começarmos a consumir batata de forma mais usual, o que aconteceu depois de fins do século XVI. O consumo da castanha, em Portugal, começou na Idade Média e, nas regiões mais montanhosas e com menos cultura de cereais, nos maus anos agrícolas, ela, a bolota e outras leguminosas eram um substituto do pão, chegando os castanheiros a ser conhecidos como as “árvores do pão”. No século XIII, ela terá servido como pagamento das rendas das terras. Em Portugal, temos 16 variedades de castanhas: amarelal, aveleira, bárea, boa ventura, b...

O Trilho do Contrabando em Vilarelho da Raia - a minha experiência como contrabandista

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  Este mês fui até Vilarelho da Raia tirar um “curso breve” do que era ser contrabandista.   Comecei por visitar o Museu Etnográfico da Freguesia de Vilarelho da Raia, onde tinha vários móveis, objetos de casa, cozinha, transporte, iluminação, religiosos entre muitos outros utilizados até ao último quartel do século passado. Claro que me foquei na cozinha, onde tinha um louceiro, a masseira do pão, a batedeira manual, a máquina de picar a amêndoa, a forma, as colheres etc. (1)    (2) e (3) Faltou mencionar a tarandeira (1) para colocar o pão acabado de sair do forno, a lareira com as suas panelas de três pés, claro, os lareiros (2) para pendurar os enchidos para fumar e a chambrileira (3) para pendurar a carne de porco. Depois de jantar um rancho muito saboroso (rancho do contrabandista), com uma lista de instruções a seguir e devidamente vestida de preto para não ser vista, fui recolher o meu fardo num local secreto onde estava a dona do contrabando - por esta altu...

Pampilhos de Santarém

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O pampilho nasceu na pastelaria Bijou em Santarém e tornou-se a imagem de marca da cidade. A receita surgiu há cerca de 30 anos, quando fizeram um bolo novo com massa areada macia mal cozida, recheada com doce de ovos e pincelada com ovo. Por ser retangular, deram-lhe o nome de pampilho, que é o nome que se dá à vara comprida usada pelos campinos do Ribatejo, homenageando-os dessa forma. Apesar de ter sido registada nos anos 80, a receita, por ser simples, foi copiada por várias confeitarias e hipermercados, mas nenhum pampilho vendido por eles se pode comprar ao original. Bibliografia: “Pampilhos”. Disponível em https://noponto.pt/pampilhos/ . [acedido em 2/7/2022]. “Pampilhos”. In Castro, Cristina. A doçaria portuguesa – centro . s.l.: Ficta, 2019, pp. 206-207. Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. “Pampilhos”. Disponível em https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/200-pampilho [acedido em 2/7/2022]. Lança, Filomena. “Pampilho: Um suces...

A história do bolo Julinha

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Quem nos segue sabe que gostamos de tradição e valorizamos as memórias. Hoje trazemos-lhe uma história e uma memória da minha infância: O BOLO JULINHA! Vamos então à história:  Nunca soube quem foi a Julinha, mas este bolo, receita da minha Avó Nana, era presença obrigatória em todas as festas de família. Depois da refeição, tínhamos a certeza de que ele ia ser uma das sobremesas. E, depois da refeição, eu, a minha mãe e as minhas duas avós ficávamos à volta da mesa a falar e a comer mais um bocadinho do bolo e a beber uma chávena de cevada ou de chá. Por tudo isto, associo o bolo Julinha à família reunida e transporta-me, especialmente, às minhas festas de aniversário celebradas em casa com as minhas amigas, como era normal na altura. É um bolo fofo e saboroso, recheado e coberto com as variantes de creme de manteiga, creme moka ou um dos dois com amêndoas (cortadas em palitos e torradas) espetadas a toda a volta. Como bolo de aniversário, usava outra opção: recheava-o e cobria-o ...

Palha de Abrantes

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A Palha de Abrantes é um doce de origem conventual, mais concretamente do antigo Convento da Nossa Senhora da Graça, da Ordem das Dominicanas. Na verdade, não é um doce, mas sim um docinho feito à base de gemas de ovo com amêndoa, coberto por fios de ovos ligeiramente tostados no forno bem quente. É lindo, como podem ver na imagem! O nome veio da sua parecença com a palha que passava por Abrantes vinda do Alentejo e caminho dos estábulos de Lisboa, ou da associação ao mercado da palha realizado em algumas praças do cento histórico. Diz-se que a receita feita no convento era a seguinte: partem-se 34 ovos e tiram-se-lhe as claras e as peles. Põe-se 1 quilo de açúcar ao lume com uma pouca de água e, depois de ferver um bom bocado, fazem-se os fios com o funil próprio. No mesmo açúcar deitam-se outros 24 ovos bem batidos (mas só 10 claras) e deixam-se cozer. Ficam assim feitas as sopas que se colocam na travessa por debaixo dos fios. À receita antiga foram acrescentados alguns ingredientes...